
O Estrangeiro
“Sim o homem é o seu próprio fim. E ele é o seu único fim...”
Camus me fez delirar neste seu primeiro livro publicado, o Estrangeiro.
Camus dedicou-se a explorar sobre o absurdo, mostrando-o como uma dimensão presente em nossas vidas. O absurdo encontra-se em todos os seus livros como uma força própria da natureza humana. O livro trata do homem absurdo. Trata praticamente do nosso modo de viver. O homem absurdo para nós acaba sendo a encarnação da mediocridade humana.
O livro, a narrativa, ocorre sobre o que Mersault, um homem, que para ele tanto faz viver ou não. Mersault é o homem que ama por amar, briga por brigar, não acha nada de ninguém em momento algum.
A vida banal de Mersault até o momento do crime processa-se dento do clima do absurdo da vida humana, que só pode ser apreendido e vivido, não tem como ser explicado.
O crime deste homem nada lhe altera o comportamento, enfrenta a justiça do mesmo modo que vivera até então.
Este crime cometido por Mersault nada mais é do que apenas uma desculpa para que ele seja culpado basicamente por tudo que ele fez na vida, o modo como ele viveu sua vida.
Levado a julgamento, às vezes pergunta- se, e eu também, se ele está ali para ser julgado pelo crime cometido ou pelo que fez na vida.
Julgam a morte de sua mãe como se fosse culpa deste, por não ter chorado em seu velório, por ter ido amar no dia seguinte a morte de sua falecida mãe. Por isso e mais, ele é considerado um homem inescrupuloso.
Camus aborda o tema da morte mais uma vez. Morrer agora condenado pelo júri não faz diferença a este homem-absurdo do que morrer daqui a vinte ou trinta anos. Mas mesmo assim ele não deixa de sentir medo da morte.
Para Pierre de Boisdeffre o livro : “não é uma narração que temos, é uma coisa que se impõe a nós como o ar e a luz. Frases curtas, impessoais; nada de discursos, ações simples, miúdas, tão simples e tão miúdas que se tornam embaraçosas, enormes. Nada de sentimentos, sobretudo nada de sentimentos e eis que as lágrimas nos vêm aos olhos”.
Boisdeffre disse tudo que eu gostaria de poder relatar com minhas palavras, mas mesmo assim ainda acrescento algo.
Mersault faz vermos o modo que realmente julgamos os outros, o modo que vivemos e a infelicidade que temos em viver.
Este livro me fez ver realmente que a espécie humana é de toda sim medíocre, como foi dito acima.
“Camus mostra-nos mais uma vez como existe um mal entendido irreparável entre o homem e o mundo.”(Pierre de Boisdeffre)
por Nathan Matos
O estrangeiro/ Albert Camus; tradução de Valerie Rumjaneck-14 ed.- RJ:Record, 1995.
Escrito por Nathan Matos às 21h34
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