
O Feitiço da Ilha do Pavão
Como estou ficando fã do nosso querido escritor João Ubaldo Ribeiro, vou tentar relatar mais um de seus livros. Neste livro que vos indico, João faz com que o romance possua uma sátira, quase nunca malévola, mas sempre ácida, de nossas mazelas.
A história se passa em uma pequena ilha chamada, Ilha do Pavão, que entendo, por tentar retratar o Brasil em uma porção pequena de terra. Enquanto uns lutam para retirar os índios das vilas, combater os negros, os artesãos e mulheres da vida, outros tentam manter viva a harmonia entre negros, índios e brancos.
A narrativa não possui um personagem principal, pois por incrível que pareça, uma negra chamada Crescência, um índio maluco chamado Balduíno Galo Mau e um branco Iô Pepeu, fazem com que gostemos da história com sua coletividade.
Existem vários momentos de “terror”, pois Ubaldo Ribeiro consegue fazer com que tudo possua um certo quê de humor e de terror ao mesmo tempo.
Iô Pepeu filho de Capitão Cavalo, o homem mais poderoso da ilha, que por sua vez não gosta de exercer seu poder, tenta por tudo no mundo conquistar o coração de Crescência. Ele por sua vez leva à cama várias vezes, mas não consegue realizar o ato sexual, não vou dizer por que, por causa que isso é uma das coisas mais engraçadas.
Balduíno Galo Mau, chefe dos índios da ilha, combate com o capitão-do-mato, e por sua vez a vitória é garantida com ajuda de “feitiços” preparados pelo índio.
Iô Pepeu e Galo Mau, indo de encontro à Capitão Cavalo para explicar como se deu a vitória dos índios, são encontrados pelos negros do quilombo e são levados para serem executados. Uma comitiva irá tentar salva-los...Aí é onde toda a narrativa da historia passa e realmente começa.
Na realidade acontecem inúmeras aventuras que não tenho como relatar aqui, pois levaria muito tempo.
O que posso dizer é que Ubaldo nos leva à um mundo onde o destino está preso nas terras da ilha, e só alguns poderão determinar o que irá acontecer, o tempo para eles não passa como aqui para nós, pois eles conseguem mudar o futuro, mas não o passado, o passado encontra-se preso na “toca do tempo” encontrada por Capitão Cavalo.
Você tem que criar em sua mente uma ilha fora do espaço, fora de tudo que você mesmo possa imaginar.
A ilha é um lugar onde todos gostariam de viver, mas ao mesmo tempo aonde faríamos de tudo para não sermos influenciados pela vontade de outros.
Sei que a explicação desse livro ficou um pouco fraca por demais, mas foi o que me veio a mente.
“(...) na verdade, não se fala na ilha do Pavão. Jamais se escutou alguém dizer ter ouvido falar na ilha do Pavão, muito menos dizer que a viu, pois quem a viu não fala nela e quem ouve falar nela não a menciona a ninguém.O forasteiro que perguntar por ela recebera como resposta um sorriso e o menear de cabeça reservado às perguntas insensatas”
Escrito por Nathan Matos às 20h30
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|